Olá Pessoal!!!

Obrigado por acessarem meu Blog, espero que o conteúdo possa ajuda-los a terem boas ideias ou até mesmo para ultilizarem como fonte de pesquisas sobre o curso de Educação Física.

10 de dez de 2009

APRESENTAÇÃO PESSOAL


Marcos Ramos Leite, 23 anos, cursando 1º módulo do curso de Bacharelado em Educação Física na Universidade Cidade de São Paulo. O interesse pela área de estudo iniciou-se pelo prazer encontrado na prática de esportes e assuntos relacionados.

INTRODUÇÃO AO PORTFÓLIO

Acredito que utilizar o portfólio como método de avaliação educacional é uma decisão muito inteligente que traz benefícios tanto para a organização de ensino, quanto para o aluno e futuro profissional. Mesmo com as orientações a respeito da elaboração do portfólio, confesso que tinha outra idéia a respeito do assunto, então decidi buscar realmente do que era composto um portfólio voltado à área da educação. A palavra portfólio pode ser definida como: “sm (ingl) 1 Pasta para documentos ministeriais. 2 Pasta para guardar amostras, álbuns e folhetos” (Dicionário Michaelis). Considerando essa definição entende-se que um portfólio é essencialmente uma exposição de uma coleção de algo e que teria muitas utilidades e finalidades. Levando a definição de portfólio para a área da educação, poderíamos entender que o portfólio é a exposição dos trabalhos mais significativos do período letivo, mas ainda assim seria algo vazio, sem sentido. Então pensei: o objetivo dos trabalhos e atividades desenvolvidas em sala é a aprendizagem do aluno, assim a aprendizagem é parte integrante das atividades e trabalhos realizados, logo ela também deve estar presente no portfólio. A aprendizagem acontece por meio de relações entre os temas e com a realidade em que vivemos, então é dessa forma que abordarei os temas trabalhados nesse 1º módulo letivo de 2009. Percebi que o objetivo principal dessa criação é a visão global do aluno focando mais na sua evolução de aprendizagem, do que em aspectos isolados ou pontuais daquilo que fez.

MÉTODO DE ENSINO EFICIÊNTE

Não poderia iniciar a abordagem dos temas trabalhados no módulo sem antes comentar sobre a metodologia utilizada pelos professores do curso. O incentivo à busca pelo conhecimento ocorre de forma constante em todos os temas abordados e por todos os professores. Confesso que foi difícil a adaptação a essa nova metodologia, pois a forma de ensino utilizada durante todo meu aprendizado educacional foi a mais convencional possível, metodologia essa em que os professores falam e os alunos ouvem; os mestres ensinam e os alunos aprendem; os docentes escrevem na lousa e os discentes escrevem no caderno. Vejo agora que esse método de ensino utilizado de forma tão comumente nas organizações de ensino é limitado, pois foca o aprendizado de uma única forma, aonde o conteúdo já vem pronto e só é repassado ao aluno como se ele fosse uma caixinha onde pudesse ser jogado dentro tudo o que ele precisa saber.
Nesse método normal não é considerando a aprendizagem em si, mas sim o repasse de informações.Nesse início de curso pude conhecer uma nova forma de aprendizado, onde somos impulsionados a buscar o conhecimento e a dominá-lo para poder repassá-lo da melhor maneira em forma de seminários, apresentações e até demonstrações práticas. Percebi com grande entusiasmo que meu caderno se tornou apoio ao aprendizado e não fonte de aprendizado. Como parte integrante da universidade e alvo dessa metodologia, posso dizer o quanto ela é eficiente, pois nos dá uma única opção de escolha se quisermos sair formados da universidade: buscar o conhecimento.


APRENDIZADO ADQUIRIDO


Quando se fala em Ciência o que vêm de imediato na cabeça é apenas o fato de que existem grandes cientistas que fazem grandes experimentos que são muito importantes para toda humanidade, mas não se sabe o que exatamente significa a palavra e o sentido da Ciência. Mas afinal, O QUE É CIÊNCIA? No início, quando foi levantado esse debate em sala, achei que surgiria um tipo de resposta comum, mas percebi que não, que teria que ir muito além do entendimento inicial para responder essa pergunta.

Em busca de informações descobri o entendimento da Ciência na visão de alguns autores. Vejamos a seguir:

Segundo Ander-Egg (1978) citado por Lakatos (1991), a Ciência seria um conjunto de conhecimentos racionais, que fazem referência a objetos da uma mesma natureza. Já Michel Blay classifica a Ciência como conhecimento claro e evidente de algo, sendo então de raciocínios experimentais ou sobre uma análise da sociedade.
Gérard Fourez (1995), ao escrever seu livro “A construção das Ciências” relata o desejo de compreender a prática científica em sua inserção em nossa vida individual. O autor também fala sobre a observação científica onde aborda a visão espontânea que a maioria dos indivíduos tem da observação, e esta diz respeito às “coisas tais como são”. O autor também fala sobre o método dialético, que se pode empregar também como “método critico dialético”, esse método trata da maneira pela qual espontaneamente as pessoas representam algo e reproduze um esquema muito difundido: Primeiro se afirma uma tese, isso é, uma maneira pela qual a realidade se apresenta. Depois, apresenta-se a antítese, ou seja, a negação da tese, negação que é provocada pela aparição de outros pontos de vista surgidos com base no exame critico que se fez. Enfim apresenta-se uma síntese, que é uma nova maneira de ver, resultante do processo crítico. Esse mesmo processo é utilizado em muitas outras áreas, como por exemplo, na política, nas empresas e em novos métodos escolares.
Contrariamente aos filósofos da ciência que o precederam, o norte-americano Thomas Kuhn (2003), desenvolveu uma teoria acerca da história da ciência e não da filosofia da ciência propriamente dita. Suas idéias básicas são encontradas no seu livro mais conhecido, A estrutura das revoluções científicas. Antes de Kuhn, a epistemologia da ciência era como um processo cumulativo, onde todo o conhecimento só tendia a crescer refinando suas teorias e ao mesmo tempo, fazendo com que se afastem cada vez mais os fatores não científicos. A posição de Kuhn é diversa desta. Para ele a ciência não é um processo acumulativo, e sim se trata de um processo que se modifica o tempo todo de tempos em tempos pela adoção de um paradigma diferente pela comunidade científica.
Apesar da Ciência não ser um dos primeiros temas trabalhados no semestre, pude perceber que ela é a base de todo o conhecimento que vamos adquirir ao longo do nosso curso. Considerando todo o estudo realizado sobre o assunto, pude aprender que a ciência na verdade é o conhecimento de um determinado assunto ou área que se desenvolve e se modifica a cada instante.
Falando ainda sobre conhecimento, como futuros profissionais de educação física entende-se que o foco de todo o estudo e aprendizado que teremos está relacionado ao corpo. E para entender melhor essa questão é preciso entender O QUE É CORPO. O corpo possui definições e conceitos diferentes de acordo com cada área, como matemática, física e biologia, porém a busca de conhecimento foi realizada a partir do aspecto humano do corpo em função da área que estamos estudando.
Jalieh Milani e Alessandra Shepard (2007) falam que o corpo é o instrumento para a experiência física de nossa existência. Ele possibilita manter contato, sentir, mudar, explorar e criar em um nível físico. Os autores também consideram a capacidade mental e a vida emocional como partes do corpo, pois são um canal por meio do qual nossa essência se revela.
Já Thomas Hobbes fala que o corpo é tudo que ocupa lugar no espaço, é tudo que pode somar e subtrair, é a substância real e é tudo o que produz efeito. Hobbes fala ainda que não depende de pensamento para o corpo existir, só necessita de coincidir com algum espaço. Fala ainda que o homem e o corpo vivo são a mesma coisa porque são conseqüência de ambos.
No decorrer da aprendizagem sobre esse assunto, a partir dessas e outras definições expostas nas apresentações em sala, foi levantada uma questão muito interessante e aconteceu um debate cheio de argumentos e convicções. Essa grande questão era: Somos um corpo ou temos um corpo? As idéias dos autores sobre o corpo abordam a aceitação do corpo como estado necessário para sermos um corpo, tendo em vista que se não aceitamos o corpo da forma que ele é e tentamos modificá-lo passamos a tratar o mesmo como um objeto, ou seja, passamos a ter um corpo. No debate que aconteceu em sala, apesar de todos concordarem que somos um corpo, alguns não aceitam a idéia de que se modificarmos o corpo passamos a ter um corpo e não ser um corpo.
Outro ponto muito interessante a respeito do assunto é sobre os órgãos dos sentidos. Pelos órgãos dos sentidos, o organismo é estimulado para enviar informação em direção ao cérebro, com a finalidade de “guardar” na sua memória, dados importantes como cores, cheiros, sons, movimentos esportivos, lembranças de situações agradáveis ou desagradáveis, brinquedos, pessoas e conhecimentos científicos. Através desses órgãos o corpo se relaciona com o mundo que o cerca.
Com base no que pude aproveitar sobre o tema trabalhado, entendo que somos um ser corporal e temos vários órgãos que são necessários para realizar as atividades que garantem a sobrevivência. Apesar do corpo também ser composto por membros, existem muitos aspectos abstratos que o fazem ser um corpo, como o cérebro e os órgãos dos sentidos que são: visão, audição, olfato, tato e paladar. Assim, através desse conjunto que forma o ser corporal, podemos ter percepções de como as coisas acontecem, observar os fatos ao redor e buscar o conhecimento constantemente, fazendo assim acontecer a ciência, que esta diretamente relacionada com o conhecimento.
O cérebro, além de comandar os órgãos dos sentidos e as emoções, também comanda através da área motora os movimentos do corpo, que são muito estudados na área de Educação Física.Para entendermos melhor isso, fomos buscar saber então O QUE É EDUCAÇÃO FÍSICA.
O autor Vitor Marinho de Oliveira, em seu livro, O que é Educação Física, diz a respeito da educação física que “O que não se discute é o seu compromisso em estudar o homem em movimento. O que também se aceita é a ginástica, o jogo, o esporte e a dança como instrumentos para cumprir os seus objetivos” (OLIVEIRA, 1984 p.86). Dessa forma, vemos então que a educação física estuda o corpo em movimento e pode se utilizar de diversos instrumentos, como os citados acima. Essa busca de conhecimento existente na prática da educação física está diretamente relacionada com o corpo, como objeto de estudo, e com a ciência, como meio de estudo.


Os movimentos corporais são usados pelo homem por toda sua vida. Desde a infância, a coordenação motora se desenvolve e é muito utilizada em diversas atividades como nas BRINCADEIRAS DE INFÂNCIA. O quadro de Pieter Bruegel (Jogos Infantis, 1560), mostra que já há muito tempo existe a observação das diversas brincadeiras infantis existentes e praticadas.
Nesse quadro o autor mostra que não existe menos que 84 brincadeiras no quadro, algumas delas nem existem mais e outras ainda existem com inúmeras variações. Um fato muito interessante nessa obra é que mesmo sendo uma pintura, expressa de forma muito real os movimentos corporais utilizados nas brincadeiras infantis. O quadro também mostra que “no mundo das fórmulas românticas e até o fim do século XVIII, não existem crianças caracterizadas por uma expressão particular e sim homens de tamanho reduzido” (ARIÈS, 1981 p.51).
Atualmente muitas dessas antigas brincadeiras são vistas como BRINCADEIRAS DE RUA, onde quem brinca são as crianças, como corrida, patins, bicicleta, luta, dança, pega-pega, skate, entre outras. O incentivo em sala de aula, que nos fez buscar diversas brincadeiras e apresentá-las, me fez relembrar como é prazeroso e lúdico usar os movimentos corporais de forma espontânea e voluntária, sem a preocupação de seguir regras e limites.Dentre estas brincadeiras descobrimos que tudo se encontra nas cinco PRÁTICAS CORPORAIS, que são: o esporte, a dança, a luta, a ginástica e o jogo. Apesar de estarem dividas em cinco, todas elas tem relação direta com os movimentos corporais que são estudados pela Educação Física.Cada uma dessas práticas tem elementos específicos, mas que se relacionam entre si.
Buscando saber O QUE É JOGO, segue a definição de alguns autores:
De acordo com Johan Huizinga (1996) o jogo e um ato voluntário e lúdico que foge da vida real, respeitando os limites de tempo e espaço, criando a ordem através de uma perfeição temporária e limitada. Já na visão de Jean Piaget (1977) o jogo adquire regras ou adapta a imaginação simbólica às necessidades da realidade, construções espontâneas que imitam o real. A partir desse pressuposto teórico, o nascimento do jogo é analisado por Piaget como gênese da imitação.
Relacionando a essência do jogo com as brincadeiras, podemos falar sobre os diferentes tipos de JOGOS COOPERATIVOS, pois de acordo com o autor OrlicK "O objetivo primordial dos jogos cooperativos é criar oportunidades para o aprendizado cooperativo e a interação cooperativa prazerosa" (ORLICK, 1989, p. 123).
Os jogos cooperativos são vistos como uma atividade física essencialmente baseada na cooperação, na aceitação, no envolvimento e na diversão, tendo como propósito mudar as características de exclusão, seletividade, agressividade e exacerbação da competitividade dos jogos ocidentais. Assim podemos perceber o quanto são intensamente executadas as práticas e movimentos corporais de forma mais espontânea e menos competitiva. Após pesquisarmos vários tipos de jogos cooperativos e os praticarmos em grupo, pudemos perceber o real sentido da cooperação e de quanto foi prazeroso, assim como o autor OrlicK já explicou.
Muitas das características do jogo expostas pelos autores Johan Huizinga e Jean Piaget também são encontradas nas brincadeiras e jogos infantis, pelo fato de não existir uma regra imposta, onde só quem a coloca são os jogadores. No filme Filhos do Paraíso da direção de Majid Majidi (Irã/1997) exposto em sala de aula, pudemos perceber o principal jogo do filme, que é a corrida. Apesar de ser considerada um esporte, para “Ali”, um dos protagonistas do filme, a corrida era vivida como um jogo, pois o mesmo não participava pela competição e sim por outro objetivo, que era ganhar um par de tênis para sua irmã.
A competição é um fator importante para os desportos praticados nos JOGOS OLÍMPICOS. Os Jogos Olímpicos ou Olímpiadas ocorrem a cada quatro anos e são caracterizados por uma série de eventos desportivos que reunem atletas de quase todas as partes do mundo para competirem em várias categorias de desporto. Assim como a corrida, existem várias outras modalidades de jogos olímpicos que exigem agilidade e envolvem a competição, como: lançamentos de discos; lutas; saltos ornamentais, entre outros.
Diferente dos outros jogos citados, os JOGOS DE TABULEIRO exigem do nosso cérebro mais raciocínio e menos praticas de movimentos corporais. Um dos mais conhecidos jogos de tabuleiro é o XADREZ, que foi praticado em aula em forma de xadrez humano como intuito de obtermos maior conhecimento e desenvolvimento do raciocínio na prática. Na sala de aula praticamos o xadrez humano, onde nó alunos éramos as peças. Essa prática em aula também foi muito relacionada com um jogo cooperativo e uma brincadeira.
Em 1902, o oficial inglês H. Raverty escreveu um artigo no Jornal da Sociedade Real Asiática de Bengala, intitulado a "História do Xadrez e do Gamão". De acordo com lingüista Sam loam (1985), pela primeira vez contou-se a seguinte história: um sábio chamado Sissa, de uma região do noroeste da Índia, inventou um jogo que representava uma guerra e pediu como recompensa ao rei um grão de trigo para a primeira casa do tabuleiro, dois para a segunda, quatro para a terceira, sempre dobrando a quantidade da casa anterior. Essa famosa história foi inúmeras vezes recontada e acabou tornando-se a lenda mais conhecida sobre a origem do xadrez.
Em 1913, Harold James Ruthven Murray publicou o livro Uma História do Xadrez... Nesta obra, o autor declara de forma convincente em mais de 900 páginas que o xadrez foi inventado na Índia, em 570 d.c.. Este xadrez indiano chamava-se chaturanga e seria anterior ao xadrez persa (chatrang), ao xadrez árabe (shatranj), ao xadrez chinês (xiangqi), ao xadrez japonês (shogi) e a todos os xadrezes. A pesquisa do autor tornou-se uma referência na literatura enxadrística e foi reproduzida exaustivamente. Apesar de o xadrez ainda não ser reconhecido como um jogo olímpico, já está sendo analisada essa hipótese de inclusão desta modalidade nos desportos já praticados.
Aprofundando-se em esportes, buscamos entender o significado de O QUE É ESPORTE mergulhando intensamente nas visões de grandes autores renomados. Segundo Rial, o esporte pode ser definido como uma pratica que “proporciona a descarga de energia libidinal constrangida por um processo civilizatório, é uma atividade substitutiva para a guerra, diverte, dá prazer, ensina obediência a regras, fortalece e disciplina o corpo, serve para construir identidades pessoais, locais ou nacionais, etc.” (Rial, C.S.M, 1998, p.242).
Por outro lado, Georges Magnane (1969) considera o esporte uma atividade de lazer com em que predomina o esforço físico, é simultaneamente jogo e trabalho, praticada de maneira competitiva, comportando regulamentos e instituições específicas, suscetível de transformar-se em atividade profissional.
Todo esporte pressupõe um fator de competitividade que induz o desportista a lutar e a se esforçar por vencer uma série de dificuldades frente a um adversário. Normalmente o adversário é outro desportista, mas nem sempre é assim, já que às vezes o objeto da luta é vencer a própria natureza ou enfrentar a sorte, como em alguns esportes radicais. Citando um evento que mostra exatamente isso, podemos falar então do grande evento de esportes radicais que aconteceu nos dias 26 e 27 de setembro de 2009 em São Paulo tinha a maior pista de skate do mundo com 107 metros de extensão o equivalente a quase um estádio de futebol, mais precisamente o estádio do Maracanã e ainda assim a Mega Rampa ficaria bem apertada apenas com cinco metros de folga, e 27 metros de altura - só para ter uma idéia ela é da altura de um prédio de 9 andares - onde são quase 180 metros quadrados de área construída em pista para que os esportistas enfrentem seus medos e alcancem seus objetivos de grandes manobras, para que assim possam manter seus números e alcançar suas metas. Uma sátira que os colunistas da web escrevem pelo fato de os esportistas praticamente voarem por cima de tudo é que “Se o King Kong quisesse pegar o skatista no momento do salto na MegaRampa, ele não conseguiria”. Esse é um esporte radical que possui algumas particularidades de acordo com algumas CLASSIFICAÇÃO DOS ESPORTES de alguns autores, vejamos a seguir:
Segundo DE ROSE JR. & TRICOLI (2005) a classificação de modalidades esportivas mais difundida é aquela que define os esportes como sendo individuais ou coletivos, de acordo com a figura 9. Os esportes podem ser classificados como individuais, segundo seu próprio nome indica, quando o sujeito participa sozinho durante a ação esportiva total (duração da prova, do jogo), sem a participação colaborativa de um colega, e em esportes coletivos, quando as modalidades exigem, pela sua estrutura e dinâmica, a coordenação das ações de duas ou mais pessoas para o desenvolvimento da atuação esportiva.

No entanto, essa classificação é muito simples e não considera aspectos importantes dessas modalidades como as ações entre companheiros de uma mesma equipe e entre os oponentes, ocupação de espaço pelo atleta e a participação dos mesmos. Considerando esses aspectos, HERNANDEZ MORENO (1998) propôs uma classificação que é, atualmente, muito utilizada e está exposta na figura 10. Nela considera-se o aspecto de cooperação e oposição. A cooperação acontece porque a responsabilidade das ações é dividida entre os membros de uma mesma equipe dando sentido coletivo ao jogo, tanto no ataque quanto na defesa nos esportes coletivos, ou sincronizando essas ações em esportes como ginástica rítmica e patinação artística. A oposição é inerente a qualquer tipo de esporte, não havendo competição sem este aspecto. Ela pode ocorrer com ou sem adversário presente ou exercendo contato direto com seu oponente. Esportes como hipismo, nado sincronizado, saltos ornamentais e ginástica rítmica são exemplos onde há oposição sem a presença do adversário. Nesses casos cada atleta ou equipe realiza seus exercícios isoladamente. Já, na natação e em corridas balizadas no atletismo o adversário está presente, porém não há disputa pelo mesmo espaço. Nos esportes de luta (judô, boxe) e em algumas modalidades esportivas coletivas (handebol e futebol) este fato fica bem evidenciado.
Outro aspecto considerado por HERNANDEZ MORENO (1998) é a ocupação de espaço pelo atleta. Há esportes que são realizados em espaços separados por ocuparem uma área especifica para a realização de suas próprias ações, sem a interferência de um adversário, como por exemplo, o tênis e o voleibol. Já esportes praticados em espaço comum são caracterizados por ocuparem uma área especifica para a realização das ações com a interferência de um ou mais adversários, como por exemplo, nas lutas e no handebol.

Finalmente, o último aspecto considerado pelo autor diz respeito à participação do atleta ou da equipe, que pode ser alternada ou simultânea. A participação alternada ocorre quando os atletas ou equipe realizam suas ações sem a interferência dos oponentes. Por exemplo: squash, tênis e voleibol. A participação simultânea ocorre quando os atletas ou equipes realizam suas ações, simultaneamente, em contato direto com os oponentes que tentam neutralizar os movimentos realizados. Por exemplo: caratê, futebol.
Só para termos uma pequena visão, considerando os skatistas da Mega Rampa e a classificação exposta por Moreno, temos um esporte que é praticado como um esporte de oposição, em espaço comum e de participação alternada, ou seja, um praticante de cada vez executa suas manobras sem a interferência de oponentes ou adversários.Outros tipos de esportes como as LUTAS também são classificados pelo autor da seguinte maneira, o Muay Thai um esporte de origem Tailandês muito conhecido como uma das lutas mais agressivas do mundo pode ser classificado pelo autor como um esporte de oposição, pois é uma luta que expõe contato direto com seu oponente, é praticado em espaço comum, pois existe a interferência de um outro adversário e por final é um esporte de participação simultânea onde os combatentes realizam suas ações ao mesmo tempo tanto no ataque como na defesa.
Mas todos esses esportes muito conhecido por todos, também podem ser praticados como um jogo por muitos, crianças e adolescentes hoje em dia já estão procurando estes esportes com uma visão diferenciada, relacionando em sua prática as características do JOGO E ESPORTE também. Esta relação é existente, pois muito do que é vivenciando em um também é visto em outro de forma diferente, mas com o mesmo espírito de esportividade. Em relação às diferenças podemos dizer que uma das principais são as regras comandadas por entidades dirigentes, como as federações, os patrocínios e o alto nível de competição. Além disso, o esporte não é considerado um ato lúdico como o jogo, onde as regras são citadas pelos participantes e integrantes do grupo, onde só quem joga pode mudar as regras.
Existe também outra relação em que o autor Johan Huizinga faz, que é sobre o JOGO E A GUERRA, onde surgiram palavras para definir o jogo e o combate. “Muitas vezes, as duas idéias parecem inseparavelmente confundidas no espírito primitivo. E não há duvida que toda luta submetida a regras, devida precisamente a essa limitação, apresenta as características formais do jogo. Podemos considerar a luta como a forma de jogo mais intensa e energética, e ao mesmo tempo a mais óbvia e mais primitiva.” (HUIZINGA, 2004 p 101). O autor expressa que na luta mesmo quando por brincadeira, não são dispensados os limites da violência e do derramamento de sangue, por esse motivo a relação entre o jogo e a guerra é considerado como uma forma de que as regras são impostas apenas pelos jogadores e nunca pelo lado esportivo e lúdico.
Buscamos estabelecer algumas relações entre JOGO, CORPO e LUTA. Vendo esta dimensão não haveria relação melhor se não fosse com uma de nossas culturas como a “Capoeira”. A capoeira é uma Luta, uma Dança, uma Arte, é Ritmo e Movimentos, nela é possível trabalhar não só o nosso corpo como também nossas mentes, além disso, possui os três elementos citados acima. Podemos considerar um JOGO, pois sabemos que é característica principal o fato de estar jogando de livre e espontânea vontade, como vimos ao estudar Huizinga, Johan.(1996), que cita em parte no seu livro que, “A vivacidade e a graça estão originalmente ligadas às formas mais primitivas do jogo. É neste que a beleza do corpo humano em movimento atinge seu apogeu”. (p. 9). O autor resume essas características, conceituando o jogo como: “uma atividade livre, conscientemente tomada como “não-séria” e exterior à vida habitual, mas ao mesmo tempo capaz de absorver o jogador de maneira intensa e total. É uma atividade desligada de todo e qualquer interesse material, com a qual não se pode obter lucro, praticada dentro de limites espaciais e temporais próprios, segundo uma certa ordem e certas regras” (Ibid, p.16). Porém, sobre este conceito cabe uma análise mais cuidadosa, quando Huizinga o coloca como atividade “não-séria” não está de forma alguma desmerecendo a atitude de envolvimento total no jogo, pois como ele mesmo relata “certas formas de jogo podem ser extraordinariamente sérias” (p. 8). Além disso, as atividades corporais exigidas para ter um bom condicionamento e uma melhor performance neste jogo é necessário que exercite e trabalhe seu CORPO para um melhor desempenho. Segundo (Merleau-Ponty,1996,) “O corpo é nosso meio geral de ter um mundo. Ora ele se limita aos gestos necessários à conservação da vida e, correlativamente, põe em torno de nós um mundo biológico; ora, brincando com seus primeiros gestos e passando de seu sentido próprio a um sentido figurado, ele manifesta através deles um novo núcleo de significação”.( p.203). E por fim a capoeira como uma LUTA, pois é um jogo que teria nascido entre os negros escravos que utilizariam para se defender e lutar pela sua liberdade, onde até o início do século XIX não havia registros escritos da capoeira. Assim então conhecemos no semestre, o real sentido de “CORPOREIDADE”. Ou seja, a corporeidade integra tudo o que o homem pode manifestar nesse mundo: espírito, alma, sangue, ossos, nervos, cérebro, etc. É também definida como um todo ou uma totalidade, de acordo com alguns dicionários da língua portuguesa o mesmo significa: Qualidade de corpóreo; Relativo ao Corpo; Corporeidade. Corporeidade assim encontra-se exatamente no corpo. Então tudo o que seu corpo é capaz de produzir se torna sua corporeidade. Segundo (TEVES, 1992), este corpo não é uma máquina, um instrumento que registra as informações do mundo exterior na forma de um decalque. [...] seu sentir não é um sentir de qualquer corpo animal. Sua especificidade está exatamente no processo relacional homem/mundo, procede da sua existência concreta de sentir, pensar, agir, sonhar, imaginar, desejar, seduzir. O homem aprende a sentir, sentindo o mundo através de seu corpo (p 8/9). Diante disso fica claro afirmar que ao reduzir a corporeidade a um funcionamento mecânico, não se pode mais se ocupar com a espiritualidade, a efetividade e a sensibilidade (SANTIN, 1993). No entanto a linguagem humana não responde apenas as necessidades práticas e utilitárias, por outro lado também vemos que o que há de mais desconhecido hoje que a corporeidade! Por mais debatido que seja só o fizemos fragmentado, pois a corporeidade é uma totalidade do corpo, reduzindo ao mais simples nunca será compreendida.

Abaixo, pode ser acessado o vídeo criado pelo Grupo Força e Mente, que representa o que é corporeidade através de imagens, música e referências.

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Descobrimos que com a DANÇA podemos mostrar diversas características da corporeidade, tanto nos movimentos executados, como no sentimento expressado por cada um. No dia 29 de Abril comemora-se o dia internacional da dança, onde desde 1982 a data foi criada e instituída pela UNESCO em homenagem ao criador do balé moderno, Jean-Georges Noverre.
A Dança é uma arte que desde a antiguidade é utilizada para manter uma harmonia entre o corpo e a mente, da mesma forma que é uma arte de se mexer corpo, através de uma cadência de movimentos e ritmos, criando uma harmonia própria.
Os gregos, na antiguidade, diziam que quando dançavam eram acompanhados por Apolo e Dionísio: o rítmico Dionísio à esquerda e a força de Apolo marcando o compasso à Direita. O êxtase Dionisíaco pertence à herança clássica da dança. Dionísio era visto como o excitável, tendo forte ligação com as forças da natureza, era a imagem da existência e da perdição total. Ele é o dançante embriagado que levava alegria, mas por outro lado era o deus sofredor, por não ter nada concreto, instável, algo certo, estava sempre renovando (Woisen, 2000).

Entendo que a Educação Física deveria despertar no ser humano o entendimento do seu corpo e da sua corporeidade enquanto movimento espaço, tempo, vinculo e tantas outras significações, ou seja, um aproximar do corpo como fonte de consciência, sensibilidade, afetividade e inteligibilidade.

Falando ainda em movimentos corporais pode-se citar uma das práticas lúdicas mais completas para o corpo humano, que são os exercícios aquáticos indicados para todas as idades, inclusive para bebês. A ciência explica que o fato de os bebês já serem adaptados ao meio líquido desde a fase uterina, pode exibir performance que encanta e até surpreende quem assiste a uma aula de natação para crianças.
As RECREAÇÕES AQUÁTICAS além de trabalhar muito os movimentos e a coordenação motora dos bebês os ajudam a terem uma melhor qualidade de vida em seu futuro.
Por volta do 8º mês, o bebê é capaz de controlar o movimento passivo e boiar. De 13 a 14 meses, na água seus movimentos aumentam, flutua de bruços, consegue se direcionar e procura as bordas para sair da piscina. De 14 a 24 meses, controla bem seus movimentos e muda de direção, começa a saltar e faz brincadeiras (CAMUS, 1993).

Enfim, todo aprendizado adquirido até aqui esta sendo muito importante para o meu desenvolvimento, não só como profissional, mas como pessoa também. Os assuntos, apesar de variados, se relacionam entre si e com o mundo que me cerca, dessa forma existe melhor associação de idéias e o aprendizado se torna completo.


REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS


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FOUREZ, Gerard. A construção das ciências: Introdução à Filosofia e à Ética das ciências. São Paulo: Editora da. Unesp, 1995
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HUIZINGA, Johan.Homo Ludens. SP: Perspectiva, 2004
KUHN, Thomas S. A Estrutura das Revoluções Científicas. 7 ed. São Paulo: Perspectiva, 2003
LAKATOS, E.M., MARCONI, M. de A. Fundamentos de metodologia científica. 3.ed. São Paulo: Atlas, 1991
MICHAELIS: Moderno dicionário da língua portuguesa. Ed Melhoramentos; São Paulo, 1998
MILANI, Jalieh e SHEPARD, Alessandra. Exercitando o corpo e a alma. 1 ed. São Paulo:Pensamento, 2007
MURRAY, Harold J. R. A History of Chess. Londres : Oxford University Press, 1913Rial, C.S.M, 1998
MAGNANE, Georges. Sociologia do esporte. São Paulo: Perspectiva, 1969
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OLIVEIRA, Vitor Marinho de. O que éEducação Física, 3a ed. São Paulo:Brasiliense, 1984
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SLOAM, Sam. The Origin of Chess. 1985. Disponível em:http://www.samsloan.com/origin.htm>. Acesso em: 29 ago 2002
CAMUS, L. J. Las práticas acuáticas del bebé. Barcelona, Editorial Paidotribo, 1993.